2 de julho de 2010

The Ultimate Party Whisky

Sentia aquele rasgo no peito, aquele vazio que se abre bem no centro do peito, não consegui dormir. Era já manhã, tu chamaste-me. Não queria ter de ouvir a tua voz chamar o meu nome. Estava cansada. A verdade talvez não seja esta, se calhar queria escutar-te, mas havia um cansaço maior. E por mais que eu o contraria-se, só tinha medo que ele se torna-se maior ainda.
Fui e foi bom, agradável, esperançoso, pintado de aguarela. Foi tudo como a luz perfeita de um final de tarde de verão, quente. Sorria e não me cansava. Esquecia-me até que alguma vez tinha estado tão cansada.
Foi bom até ao dia de ontem, em que não dormi. Onde me fez lembrança o que é estar cansada. Era suposto eu compreender, mas não estava mesmo a perceber. Foi aquele instante em que percebemos de modo racional e até prático, mas que não tem bem sentido. É isto, lógico mas sem sentido. Fiz que percebi, era mais fácil assim.
Acordei descansada. A minha alma está cheia, já não sinto aquele vazio.
Hoje sei porque gosto de ti, porque no dia um, aquele em que eu acordei sem um sorriso, tu fizeste-me sorrir.
Aquele de quem gostas disse “we should look up the things that connect us and not the things that separate us”, talvez este seja o mantra d’ hoje.

4 de junho de 2010

céu limpo

Houve um dia em que cai da terra e avoei no céu. Era tudo ao contrário, o mais estranho era estar tudo certo. Não havia nada e tinha toda a coisa. Faltava-me tudo mas não sentia saudade. Os meus olhos estavam de fora, conseguia ver as 11 dimensões em 360 graus. Em toda a compreensão, só havia duas dúvidas. Foi aí que percebi que não era meu destino ser um ser dali. Tinha pés que me faziam cair, tinha mãos que deixavam tocar. Era o sujo no limpo. Peguei nos meus olhos e juntei perto da boca para saber se ainda estava dentro de mim. Estava e girei, caí em direcção à Terra e aterrei. Era um ser dali. Naquele momento percebi que lá no cimo onde avoei, havia uma terceira dúvida, como conseguia eu cheirar a água sem o meu nariz.

fica a nota

A felicidade é um termo que conheço mas não sei como o definir. Deixa-me extasiada, sorridente e às vezes nem tem efeito físico. É só uma explosão de energia pelos meus neurónios. Estar feliz é bom. A melhor das felicidades e com dúvidas de que se possa qualificar, é aquela que aparece depois da tristeza, depois do lado negro físico e psicológico, do lado negro do coração ser a nossa inspiração. Essa felicidade é a felicidade regeneradora, aquela que nos faz ver que afinal a felicidade é uma corrente e que quando a interrompes, só a tens de conectar de novo para acontecer. Percebemos aí que sempre fomos felizes, que podemos sempre voltar a ser, sem deixar de o ter sido. Acredito que a tristeza seja um acto de felicidade, é o lado em que se aprende mas não se sorri, o lado em que o coração bate mas no batimento errado, é o lado mau do bom da felicidade. Ela está sempre lá, só temos de procurar e buscar o bom, o bom. Eu hoje fui feliz, ontem também e antes de ontem. Tenho sido feliz e a minha corrente não se vai interromper tão cedo. Assim o espero. A felicidade é companheira da vida, estima-a.

15 de maio de 2010

açnadum

Não te conheço.
Adormeci sem me ver uma última vez. Quando acordei já se tinha ido, a imagem do eu ontem. Comecei o dia a conhecer-me. Estranhamente gosto de café hoje. No armário empilhado de roupa, só encontrei um conjunto que ficasse minimamente bem, apresentável. Estou a ver que hoje sou esquisita. Olho as crianças no jardim, sentada num banco virado para a relva da frente. Uma delas sorri para mim, agradou-me. No jantar penso que não me posso olhar hoje de novo, antes de adormecer. Não gostei do meu ser, amanhã será melhor.
Não me conheço.

20 de abril de 2010

Berlin












by: Filipe

excerto 3

Um dia fiz-te um desenho que representava tu hoje e igualmente no futuro, mas maior. Foi quando me ligaste a chorar. É um desenho com extrema força e que talvez só eu o entenda. Até cheguei a conservar e empacotar a minha sorte para te dar. Mas tu foste antes de receberes aquilo que te pertencia. Ainda hoje tenho comigo, o desenho e a sorte guardado dentro do livro, que um dia disse para pegares.

excerto2 (bom)

Melhor que tudo, é conhecermos alguém que nos faz ver, aquilo que tínhamos esquecido, que podemos ir mais além. O quê? Sim. Tu, eu e os outros podemos ir mais além. É surpreendente como um momento, muda o nosso sentido corrente da vida. Fantástico. É certo que dá para os dois lados, bom e mau. Mas quando está mal e chega o lado bom, é realmente Booooooooooooom, bom. Pode ter sido uma mera conversa, pode ter sido um mero olhar, pode ter sido um mero beijo, pode ter sido um mero tocar, pode ter sido um mero constatar, pode ter sido uma mera certeza do acontecido, pode ter sido o teu mero tu, ou um mero dele. É fenomenal. E queria dar um obrigada a isso. Muito, mas muito obrigada. Foi simples, mas deveras eficaz. Tenho que o dizer, aweh.

excerto1

Um dia vou ter tudo o que quero e desejar por mais. Sou um puzzle que começa pela peça do meio e não pelos cantos. Os cantos serão a ultima aresta do sem forma das cento e muitas peças que terei para encaixar. Cento e muitas ou muitas mais. Sou sincera com o que sinto, mas nem sei bem o que sinto. Está tudo tão aborrecido. Tenho-me comparado com a rapariga de há um ano atrás e pergunto-lhe se era feliz, ela responde que sim, mas o estranho é que tal felicidade hoje era um não sentido. Não era razão de me fazer feliz. Hoje não sei o que me faz feliz. Estou cansada e não o quero estar. Pensei que crescer fosse bom, ter consciência e poder seria bom. Está-se a revelar um verdadeiro engano. Apetecia-me de punho fechado elevar o dedo do meio, apontar para tudo o que disse e que tudo mudasse. Estou cansada deste termo a que chegou o que sou. No entanto tenho pirilampos que não me deixam ficar no escuro. São esses que me têm dado brilho. Também os chamo de anjos, só que não voam. Não é bem verdade, mas deixa. Um dia quero ser parte d'hoje e muito do que vem. Quero guardar a outra parte do que sou num canto que me lembre do quanto sou forte, mas que não me deixe ser rancorosa. Quero que esse dia seja o amanhã.

4 de abril de 2010

3 de abril de 2010

Ao espelho, onde vês o reflexo entre o homem que és e aquele que gostarias de ser, respiras fundo e desejas que essa mulher chegue um dia, mas não demasiado cedo para te assustar nem demasiado tarde porque entretanto pode aparecer outra e tu vais deixar-te ir, convencido que é essa e não eu a mulher da tua vida.
O que tu não sabes, meu querubim cansado, é que do outro lado do espelho eu te vigio, como se fosse o teu avesso e te protejo, como se fosse o teu presente, e te desejo, como se pudesse ser o teu futuro.
Mas é ainda demasiado cedo, é ainda tempo de guardar no silêncio dos dias a vontade de te querer. É ainda de manhã e tu estás atrasado para o trabalho e eu estou adiantada na tua vida, por isso respiro fundo do outro lado da tua imagem e espero, sentada no baloiço, lá mesmo em cima, para que não me vejas, que um dia dês o salto para o outro lado da tua vida e sejas quem sempre sonhaste para que te vejas ao espelho como eu já te vejo, como tu és.
Margarida Rebelo Pinto

2 de abril de 2010

Lord.knows

Corri como flecha quando vi a linha da meta. Senti a fita a enrolar-se no meu corpo quando a cruzei. Foi excelente a sensação de esforço conseguido. Quando me virei para festejar com os outros percebi que não lá estavam, ninguém. Foi tudo um sonho de menina que fecha os olhos e sonha. Na verdade não venci, nem com ela mesmo. No meu caso não era sorte, nem azar. Não era trabalho, nem esforço. No meu caso eram pessoas. Aquelas que nos rodeiam e que por mais sós que sejamos, elas dão sentido à nossa vida. Foi uma pessoa que me fez ver que posso perder. Me fez ver que a vitória às vezes só pertence à imaginação do senhor rei do respirar. Mas essa pessoa também me fez ver uma outra coisa que não sabia ser verdade, fez-me ver que esta anterior nem sempre é a chave da liberdade. Por vezes ela é a ferida que não cicatriza, a ferida que arde e dói. Mas houve um dia antes de todos estes, em que uma outra pessoa, que se nomeia de existência, me ensinou uma coisa, que eu nos dias de hoje ainda acredito, o fruto que colhes é da semente que plantas. Assim te pergunto em tom de despedida pessoa, a tua colheita será de bom princípio?