26 de dezembro de 2009

color of the world

Já viste como está bela a cor do mundo? Hoje está deslumbrante como nunca antes a tinha visto. Cor do mundo? Nunca vi tal coisa, nem sequer ouvi falar. Pois com certeza que não, ainda és inocente com os olhos fechados. Mas explica-me melhor o que é isso da cor do mundo? E porque é que eu com estes olhos mais abertos que arregalados não enxergo essa tal cor deslumbrante? Eu não sei se te consigo explicar o que é a cor do mundo. É difícil de arranjar as palavras certas que o expliquem. Afinal é algo que vês com os teus sentidos, não algo que vejas com o teu sentido. Acho que percebo menos agora do que antes. É-me complicado, mas sei te dizer o porque de não veres. Então? É pela mesma resposta que te dei do que é a cor do mundo. Ah, nesse caso ainda não entendi nada. Um dia irás ver e nesse dia vais perceber as minhas palavras e o meu embaraço nelas.

Hoje vi a cor do mundo. Tiveste pouca sorte no dia. Pois claro, estava escuro e malicioso, senti medo. Não o temas, é só uma cor. Mas é a fala do mundo e eu percebi o que lhe ia dentro da entranha. E quem não é coisa que tenha o seu dia menos bom? Isso é coisa bem dita, mas mesmo assim não deteve o aperto em todo o meu corpo, que se espremeu até tremer. Oh jovem com maturidade, não te arrelies com tal coisa. Amanhã será um novo dia e novo dia nova cor. Como tudo, o mundo não é diferente. Deposito fé nisso. Deixa-me acrescentar que também hoje percebi. Percebeste? Sim, entendi o porque de não ver e o porque de não conseguir a explicação do que é a cor do mundo. Assim sabia que seria. No entanto pensei e quero afirmar que a cor do mundo é como tudo o que nós… espera eu tenho a palavra... é como tudo o que nós não conseguimos explicar mas sabemos. É como a eterna incógnita de tudo o que nos faz a pergunta porque. Concordo contigo, mas pode ter uma maior explicação que essa e por isso é que por mais que tentes, a grandiosidade da cor não vai ter lugar na tua lábia nem da de ninguém, tal como tu. (...)

11 de dezembro de 2009

ida sem regresso

E se não conseguires, Se não conseguir, não terei perdido mais que os passos para lá e para cá, e as palavras que lhe disser, respondeu ela (…) Melhor louca que medrosa (…) Sim tinha medo, medo de falhar, medo de não ter palavras suficientes para convencer (...)

Caim


Eu nem te consigo olhar nos olhos. É uma sensação que me extasia o corpo, vem bem cá de dentro e que me deixa cansado. Cansa-me o pensamento e o próprio cerne do ser. Tenho medo de não ser corajoso, querias uma maior incerteza? Não há fórmulas que me ajudem, nem derivadas que tenham a solução do mais ou menos. O passo é seguro por uma corda, no instante em que ia tropeçar, cair. Antes cair e ficar certo, a ficar como fiquei. No mesmo meio de fluidez sem muito por onde crescer.

Já não há preocupações que me apoquentem, são banalizadas diariamente, no momento em que outras aparecem. Disseste-me ontem que podia ganhar um grande sim. Cada letra desta palavra ganhou tamanho consciência na minha mente que fiquei pequeno, enterrado, quase a sufocar, por isso agora morri, o ar acabou e estou morto. A minha cova é a dúvida, a terra que me cobre todo o remexido e mexido de vivencia que não aconteceu. É o impasse, por mais que estique a perna ele não me deixa ultrapassá-lo, impasse, impasse, impasse. Foi anteontem, ontem, hoje, amanhã e depois. Fica, permanece e não vai.

Este ano só pedi ao Santa um único presente de Natal e não foi a paz no mundo, porque essa muitos já pediram, pedi a paz na minha cogitação, subordinada a si.




29 de novembro de 2009

o certo do não certo

Afinal não és assim tão honesta. Eu pensava-te a pessoa mais honesta para comigo e afinal não o és.

Por vezes a verdade não é tão simples quanto o proferir de palavras. Não é tão simples como se pinta, por vezes até sem cor. Por vezes a verdade é a maior das mágoas, a escuridão densa no interior de cada um. Por vezes é tão cega que deixa de existir e nem nós dentro dela temos a noção da sua existência. Até... até que chega o momento em que menos esperas e na maior da escuridão se faz luz, a mágoa mais profunda derrama a sua dor e a cortina da cegueira é desvendada. Tomas consciência que te fizeste cair na mentira, tu criaste essa história, e agora estás tão enrodilhada nela que não a queres perder. Não queres sair da zona de conforto. Ou então a verdade nem te dói mas tu ingénua na realidade preferes ficar parada. Por vezes queria-te aqui, queria ter ficado num tempo que não o presente e seguir a verdade. Mas esta verdade mentirosa não é menor que essa, por isso continuo.

A melancolia tem-me surpreendido com a sua companhia numa pequena dose. Vem acompanhada de interrogações, já muito respondidas. Parece não compreender, tem a procura incessante pela mudança certa de resposta. Conhece-me demasiado bem e sabe por certo que eu sou tela branca a cada compasso de tempo. E ela deixa-me ficar só ,a penetrar nas entranhas do ser, tentando encontrá-lo, um mergulho sem fim, onde o acto de respirar será permanente sem nunca encontrar a ancôra do ser. Mexo e remexo, desloco, entorno, uma bagunça imensa sem nunca encontrá-lo. Como flashes vai-me iluminado mas o caminho é sempre obscuro, como uma floresta densa. E continuo(...)

22 de novembro de 2009

je rêve comme une amélie



são tempos difíceis para os sonhadores

17 de novembro de 2009

thanks to all 'good nights'

(tu querias uma história feliz. vou pedir às palavras que me conduzam para essa história que tanto me pedes.)

Foi uma reunião de amigos. Uma tertúlia.

É sempre a subir. Uma rua onde o encontro é o mais certo. Temos mais paragens do que o costume, afinal estamos todos cá.
Com ela na mão, o sentido do andamento é reverso. As paragens tornam-se o percurso e o convívio toma conta de nós. Já nem falo só com os amigos, os desconhecidos conseguem a troca e a noite corre. Sentada com ela quase no fim, já nem a mente cá está. Navego no meu olhar, sinto-me demasiado bem comigo para reparar no exterior. No fim do percurso já a noite é dia e deixou de ser criança. Na rotina do deitar ainda tenho tempo para pensar 'mais uma noite a recordar'.
Adormeço com a ideia que todos estiveram lá.

faz sentido

8 de novembro de 2009

rascunho

Uma lástima de dia. Não por contradições de tempo, não por chover em vez do sol brilhar. Uma lástima apenas pelo meu mood que está uma lastima. Está tal e qual o meu dia. Um caracteriza o outro. Sentada a ouvir o jazz, sinto todo o meu corpo a entrar numa história que não esta que vos conto. Sinto-me a andar, passo a passo através de estranhos que olham, que me admiram, que me vislumbram, tal qual os seus olhos fossem o ar em redor, caminho. A música deixa-me caída no sofá que contorna a mesa que apoia o copo de martini. Sinto-me a Cruella de Vil, mas com uma maior doçura no coração. Já peço o quarto e nada de novo. O mesmo ar respiro de forma leve, simples e sem piada. O meu ritmo cardíaco é de um coma, só preciso é de mais uns quantos para esse meu estado clínico se confirmar. Já nem postura tenho, a banda continua a tocar. A sala está mais vazia. Sinto a presença de uns passos que se fazem sentir no meu ouvido esquerdo, o outro está apoiado na minha mão. Estes seres conquistadores boémios fazem-me largar sempre um sorriso penoso e sarcástico. Vejo os seus lábios moverem-se mas apenas me oiço a mim e ao som do baixo lá adiante. O bocejar diz-me para casa regressar. As minhas pernas já não passeiam, apoiam-se nestes red shoes de salto alto Gucci, eles que caminhem. Fazendo uso do push na porta empurro-a, a brisa lá de fora levanta-me a pestana e desperto desta história que não esta que vos conto. O meu dia está uma lástima, tomo um Niravam que o capicua com letras já se foi. Adormeço com a semelhante sintonia de uma pedra atirada ao rio. Até amanhã.

7 de novembro de 2009

episódio 134522678907457355621245787898

Que fazem aqui esta noite?
estamos a investir tempo na vida

e assim paulo gama a chamou de artista.

3 de novembro de 2009

sem título

A minha vida é um processo rotativo. Não como um ciclo vicioso, porque a cada volta descubro sempre algo novo. É difícil olhar em flash back e pensar que por mais voltas que dês, o balanço nunca é dado para trás. Não sei se fico feliz ou triste, apenas fico estática, a pensar que a vida podia ter timings mais perfeitos, em vez de andar a atirar ao lado. Parecem mil planos num, a velocidades diferentes. É-me complicado de compreender. Talvez com menos discernimento consegui-se lá chegar, mas estou cega com tudo o que sei. Desde esse tempo atrás que mil voltas já dei, muitas rotações por minuto e cada vez menos sem conseguir abrandar. Ainda não sei o que sinto, contudo no reverso da moeda já o sei, e bem. Tudo é bastante simples não o sendo simplesmente. Tal como tu, isto é só um desabafo.

Conheço-te de algum lado?



«se existissem almas gémeas, todos seriamos siameses»